RELATOS DE VIAGENS América do Sul




Deixamos aqui nossos relatos de viagens como colaboração à outros viajantes e para expressar o nosso “valeu” àqueles que relataram suas experiências na rede de internet, ajudando os aventureiros a planejar e viajar pela América do sul com mais informação e segurança.

Mostrando postagens com marcador Ollantaytambo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ollantaytambo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Machupicchu / Machu Picchu

22/01/2012 - 28° Dia
Cuzco /Ollantaytambo - 80 km

Saímos de Cuzco no meio da manhã com destino a Ollantaytambo. No caminho passaríamos por Chinchero, há 30 km de Cuzco, para visitar uma feira indígena com preços mais atrativos que em Cuzco. As cholas pechincham muito e te chamam o tempo inteiro para oferecer seus produtos. Os preços inicialmente são os mesmos que em Cuzco mas depois de algumas negativas do cliente baixam até 40% o que compensa bastante a visita.

Ollantaytambo é a última cidade antes de Machupicchu onde se pode chegar de carro. Daí pra frente somente de trem ou a pé. Não há estrada de rodagem.  A cidadezinha é bem pequena, charmosinha e agradável mas e os preços em relação a Cuzco estão em torno de 30% mais caros. Encontramos um hotel pelo booking  por US$ 35 o apartamento duplo, Casa de Mama Cusco Valle, há menos de 10 minutos a pé da estação de trem (durante nossa estadia o wi-fi estava inoperante). É uma construção nova e agradável com boa vista para as montanhas a partir do primeiro andar, café da manhã, toalhas e lençóis novos e a cozinha fica a disposição dos hóspedes.

Saímos em busca de um mercado para comprar mantimentos para o dia seguinte em Machupicchu, já alertados de que qualquer coisa para comer e beber lá em cima é muito caro. Mais tarde jantamos e fizemos câmbio. O comércio e até mesmo algumas casas de câmbio ficam abertas até bem tarde para um domingo. É bom estar prevenido para o frio que faz a noite nestas cidades. Temperatura em torno de 10 a 15 graus porém a umidade faz com que a pareça menos.


23/01/12 - 29° Dia
Ollantaytambo/ Machupicchu Pueblo - aproximadamente 1h30min. de trem

Agendamos nosso desayuno para às 5h15 da manha. Chegamos na estação às 5h40min, meia  hora antes do embarque conforme orientação da Peru Rail, para pegar o trem das 6h10. A viagem é tranquila e agradável, margeando o Rio Urubamba, em meio a montanhas belíssimas e alguns picos nevados. O percurso somente pode ser feito de trem ou através da trilha inca, 40 km, 4 dias e 3 noites. A compra do ingresso deve ser feita antes de pegar o ônibus para Machupicchu. Em Machupicchu Pueblo os ingressos são vendidos no prédio do Ministério da Cultura, na praça, próximo a Municipalidad. A compra só pode ser feita com sólis ou Visa. É bom estar prevenido com sólis, caso o cartão esteja fora do ar para não perder a viagem. Os ingressos também podem ser adquiridos nas oficinas de turismo em Cuzco.



Águas Calientes (Machupicchu Pueblo)


O governo peruano através do Ministério da Cultura é quem administra o sítio arqueológico. Tudo é muito caro, da passagem do trem (US$ 70, ida e volta a mais barata), passando pelo ônibus até o topo da montanha onde está a cidade sagrada de Machupicchu (US$ 17, ida e volta), até os ingressos (US$ 50, a interia, US$ 25 estudante (somente com a carteira internacional de estudantes). Alguns serviços, como os ônibus e o trem são terceirizados e outros, como um hotel que fica na porta de entrada da cidade sagrada,   funcionam através de concessões temporárias.







Machupicchu/Machu Picchu

A cidade é realmente uma pérola arqueológica, no topo de uma montanha, rodeada por outras montanhas mais altas e belíssimas, que assim como a terra, o sol e a lua eram sagradas para os incas. Estima-se que vivam ali em torno de 500 pessoas. A principal teoria em torno da origem de Machupicchu é a de que era uma cidade sagrada para os incas. Seria uma cidade de peregrinação, onde rendiam homenagens aos seus deuses e realizavam estudos astronômicos entre outros.





Nao há nenhum vestígio da presença espanhola por aqui e  nenhum relato escrito sobre a cidade sagrada. A cidade se mantinha através do intercâmbio com Cuzco, a qual era abastecida de coca por Machupicchu. Os incas desconheciam a roda mas desenvolveram um eficiente sistema de estradas. Segundo os guias locais os incas  levavam dois dias para percorrer em caravanas os 120 km que a separavam de Cuzco. Já os "chasquis", mensageiros incas e exímios corredores, levavam 13 horas para fazer o mesmo percurso através de um rodízio que consistia em cada um percorrer 8 Km correndo. A cidade está perfeitamente organizada em setores como agricultura, oficinas, local onde entalhavam e cortavam as pedras, praças, área residencial, área de hospedagem, área de trocas,  etc. Os incas eram também exímios arquitetos.













A cidade possui vários templos sagrados e um relógio do sol bem acima, estrategicamente posicionado, próximo a maioria dos templos, de onde se tem uma vista de toda a cidade e acesso a praça central. Foram encontradas evidências de que a estrada que levava a Machupicchu foi propositalmente destruída e a cidade abandonada pouco a pouco, talvez na direção da cidade perdida de Vilcabamba, para onde também partiam trilhas e onde foram encontrados os últimos vestígios da civilização inca, na década de 1570.

Relógio do sol

Relógio do sol ao fundo










lhamas



Embora seja um museu a céu aberto e seu acesso caro, não há placas ou explicações no interior da cidade sagrada e o ingresso não dá direito a nenhum mapa o que dificulta bastante a ¨compreensão¨ da cidade sem a ajuda de um guia  (US$40 a US$60). Alguns guias fazem tours parcias com o visitante. É bom ficar atento ao mapa em forma de painel que fica na entrada da cidade sagrada e aos serviços oferecidos pelos guias e negociar. Vale a pena levar uma canga para tirar um cochilo em algum cantinho sossegado da cidade sagrada, entre uma caminhada e outra.

Notas de Rodapé
* Guarda-volumes SOL$ 5,00 (passando a catraca há outro SOL$ 3,00); Um frozen de limão mais uma cerveja pequena, SOL$ 24,00

Fotos de Rodapé




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cuzco e o mal da altitude

18/01/2012 –  24° Dia
Juliaca /Cuzco – 370 Km

Nossa previsão era sair de Juliaca por volta das 10h ,  mas tive fortes dores de cabeça durante à noite e ainda pela manhã  e acabamos saindo às 15h.  Inicialmente não associei a dor de cabeça à altitude elevada e tomei analgésicos que não fizeram  efeito algum.  Pela manhã, além do analgésico masquei algumas folhas de coca e aos poucos me senti um pouco melhor.  “Todos” os quatro hotéis  de Juliaca estavam lotados e ficamos num hostal com cara de hotel: quarto quádruple, com banheiro, sem café da manhã,  SOL$147,00. Juliaca não é uma cidade turística mas não quisemos percorrer 120 km (ida e volta a Puno) somente para dormir, que seria a outra opção.



Durante o trajeto a paisagem abandonou o deserto e o que se vê agora são vários campos e montanhas verdejantes.  Paramos para fazer um lanche na metade  da viagem e todos tomamos chá  de coca. Chegamos em Cuzco por volta das 20h30 e tivemos uma excelente impressão da cidade. A estrada pra quem chega a Cuzco de carro vindo de Puno/Juliaca te deixa  direto na Av. de la Cultura  que passa a se chamar  Av. del Sol próximo ao cento, uma das principais avenidas da cidade. Placas indicavam o caminho  e foi fácil nos situarmos e localizar os endereços de destino que havíamos pré-selecionado. De cara percebemos que se tratava de uma cidade muito atraente, cosmopolita e animada. Há várias opções de hospedagem de SOL$30 a SOL$ 80,00 por pessoa e acabamos optando por dois quartos no hotel San Blas 2 na Calle Choquechaca, no centro histórico,  há poucas quadras da Plaza de Armas. SOL$90,00, cada apartamento duplo.


19/01/2012 - 25° Dia
Cuzco

Impossível não se render a Cuzco, mas, infelizmente, não no primeiro dia. Há 3.500 mt acima do nível do mar não dá pra subestimar o mal da atitude. Dores de cabeça fortíssimas e enjôo me tiraram de combate por um dia inteiro.  Pinho, apesar de um pouco de mal estar se saiu um pouco melhor  e as meninas se mantiveram bem. Os três saíram para almoçar, depois dar um giro na cidade, à noite jantar e eu não consegui sair da cama. Nossos guias de viagem indicavam que o sintoma perigoso é a tosse insistente que pode ser um indício de edema pulmonar. Fora isso a orientação em caso de mal da atitude é a folha de coca e repouso até que o corpo se adapte.


20/01/2012 - 26° Dia
Cuzco

Acordei um pouco melhor mas ainda com um pouco de dor de cabeça. Além do chá de coca no café da manhã,  tomei uma pílula que indicaram ao Pinho.  Finalmente pude aproveitar Cuzco apesar de que, mesmo com o alívio dos enjôos e da dor de cabeça, qualquer esforço físico como subir uma ladeira ou meia dúzia de degraus fazia com que meu coração disparasse. Adotei o “slow motion bossa nova” e me mantive estável. Fomos a Plaza de Armas comprar as passagens de trem de Ollantaytambo para Machupicchu (é como se escreve aqui). Ainda que tivéssemos a intenção de seguir de trem desde Cuzco, este trecho está suspenso até março. As passagens podem ser compradas pelo site da Perurail www.perurail.com



Cusco numa janela de Cuzco




Decidimos primeiro percorrer os museus  de Cuzco antes de seguir para Machupicchu. A intenção é conhecer melhor a cultura inca para aproveitar melhor a visita ao Vale Sagrado. A maioria dos museus e pontos de visitação exige o boleto turístico que custa SOL$ 130 por pessoa e dá direito há 16 ingressos incluindo um show de danças folclóricas peruanas. O boleto é válido por 10 dias. Fomos ao Museu Inca (não incluso no boleto). SOL$ 10,00 por adulto. Manoela de 9 anos free. O museu tem várias salas com exemplares arqueológicos de culturas incaicas e pré-incaicas bastante interessantes. O turismo em Cuzco é caríssimo mas comida e a hospedagem tem pra todos os bolsos. 



Cuzco possui uma arquitetura muito particular. É preciso ficar com os olhos bem atentos porque é comum vermos um prédio, casa, igreja colonial construída sobre  ruínas  incas. 

ruína inca sob construção colonial

lhamas para foto